Mario Elie, Dwayne Johnson, Cordell Henry e Mário Leite foram as “figuras maiores” da grande festa do basquetebol vareiro. Ovarense perdeu com o CAB Madeira na primeira edição do Troféu Augusto Arala Chaves.
A ADO Basquetebol levou a efeito, no passado sábado, o “Dia de Campeões”, uma iniciativa que reuniu dezenas de ex-atletas, treinadores e dirigentes, que escreveram o seu nome na história do clube, através dos títulos nacionais que ajudaram a conquistar no escalão sénior, mas também nos escalões de formação, femininos e masculinos.
Foi um dia cheio de atividades, que trouxeram mais de um milhar de pessoas ao Pavilhão João Gonçalves, na Arena de Ovar, onde a festa esteve instalada durante todos dia com a realização de inúmeras iniciativas, com particular destaque para as que juntaram, nos mesmos espaços, algumas das lendas do basquetebol vareiro.
Um dos momentos mais marcantes do Dia de Campeões aconteceu com a realização de duas incríveis tertúlias, que contaram com as participações de Mario Elie, Dwayne Johnson e Cordell Henry, no primeiro painel, mas também de Mário Leite, Rui Mota, Joffre Leal, Luís Magalhães e Rui Valente, que constituíram o segundo painel.
Foi na entrada da “casa” da ADO Basquetebol que a iniciativa teve lugar, perante dezenas de adeptos do clube e com o “museu” alvinegro a servir de pano de fundo a um encontro onde os protagonistas partilharam sentimos, histórias e aventuras que viveram durante a sua passagem pela Ovarense, nomeadamente as relacionadas com as conquistas dos muitos títulos alcançados.
O primeiro painel foi, de facto, o mais relevante de toda a iniciativa, ou não estivessem presentes Mario Elie, Dwayne Johnson e Cordell Henry, três jogadores norte-americanos que muito dizem aos adeptos vareiros, com o tricampeão da NBA a ser o mais acarinhado e solicitado durante toda a iniciativa. Talvez por isso tenha sido o primeiro a intervir, com um testemunho incrível através do qual deixou bem patente a importância da sua passagem pela Ovarense.
Mario Elie disse que chegou a Ovar “vindo de uma cidade com 12 milhões de habitantes” e para destacar o que faz Ovar ser tão especial para os jogadores, simplesmente destacou que “quando se joga em Ovar, passa-se a fazer parte da família”, salientando que, passados quase 40 anos, continua a ter esse sentimento.
O detentor de três anéis da NBA aproveitou o momento para dizer que estava muito contente por voltar a ver Luís Magalhães, seu treinador, Augusto Arala Chaves, ex-presidente, e enalteceu os feitos alcançados pelo clube, recordando os sócios e adeptos do clube que “nunca deixavam de nos apoiar, fazendo do nosso pavilhão, provavelmente, o melhor do campeonato, na época”, disse.
Perante dezenas de adeptos da Ovarense, Mario Elie voltou a ser ‘especial’ e aproveitou para, em tom de brincadeira, dizer que, os anos passaram, mas que ainda continua a “não gostar o Benfica”.
Cordell Henry alinhou pelo mesmo ‘diapasão’ de Mário Elie e salientou que Ovar é uma cidade muito especial para si. “Ovar e a Ovarense estão no meu coração”, disse o base bicampeão pela Ovarense. O norte-americano destacou que, duas décadas depois de ter estado em Ovar, continua a falar da sua experiência em Portugal e “de todas as aprendizagens que viveu na Ovarense”.
Cordell Henrys aproveitou para recordar “os adeptos da Ovarense, a cidade de Ovar e a comida e o vinho portugueses”, e disse serem estes os motivos que o têm feito vir a Ovar, realçando que “em dez anos esta é a terceira vez que cá vem”.
O terceiro a falar neste primeiro painel foi Dwayne Johnson, que começou por dizer ter “dificuldade em transmitir por palavras os seus sentimentos neste regresso a Ovar”.
O norte-americano também falou da experiência que viveu com a sua passagem de uma grande cidade, com milhões de habitantes, para a “pequena Ovar”, e aproveitou para salientar a sua felicidade “por estar de regresso a um sítio onde as pessoas, 39 anos depois, o continuam a acarinhar e a reconhecer pelo que toda a equipa fez e conquistou”, frisando que essa atitude dos ovarenses o deixa muito sensibilizado.
Depois vieram as melhores recordações e os momentos mais marcantes que cada um destes três jogadores defende ter vivido com a camisola da Ovarense.
Para Mário Elie, “vencer o campeonato no primeiro ano e por fim ao período de domínio do Benfica foi o momento mais marcante que disse ter vivido em Ovar”, recordando que, no final do jogo a festa foi tanta que deixou de saber “onde andavam os calções, a camisola de jogo”, classificando o momento como “extraordinário e de grande celebração”.
Cordell Henry disse que trouxe consigo para a Ovarense “uma mentalidade forte”, que o ajudou a conduzir a equipa “à conquista de dois campeonatos”, elegendo estes como os momentos mais marcantes com a camisola alvinegra.
Dwayne Johnson olhou para a sua passagem por Ovar como uma experiência transformadora da forma como se jogava basquetebol em Portugal. Para além dos títulos, o norte-americano destacou o modelo de jogo que a equipa passou a praticar com a sua chegada e a de Mário Elie. Sem se esquecer de salientar o importante papel de jogadores como Mário Leite, Rui Chumbo, Borracha, Vítor Ferreira, entre outros, “jogadores que se adaptavam facilmente ao estilo de jogo e que tornavam tudo mais fácil para atingirmos o sucesso”, Dwayne Johnson defendeu que a Ovarense se apresentava com um estilo de jogo completamente inovador no nosso país, facto que levou a equipa à conquista de troféus.
Sobre os momentos mais engraçados ou insólitos que cada um viveu, nas épocas que representou a Ovarense, as respostas foram hilariantes,
Mário Elie voltou à festa do título de 1988, recordando que quando chegou ao balneário estava, literalmente, em ‘cuecas’.
Cordell Henry referiu ter “um milhão de histórias” que poderia contar sobre a sua passagem pela Ovarense, “especialmente as que vivi com Ben Reed”, disse em tom de brincadeira, destacando a ausência do ‘mágico’, único jogador estrangeiro que venceu três títulos com a camisola alvinegra. Cordell Henry lembrou que chegou a Ovar sem carta de condução e que, durante um ano, andou de bicicleta para ir aos treinos, aos jogos, para ir às compras, etc, recordando o momento em que a sua bicicleta desapareceu e o clube lhe ofereceu outra como prenda de natal, como um dos mais engraçados da sua passagem por Ovar.
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